domingo, 22 de novembro de 2009

Besterela

Um gracejo, vida senta o beijo
Quem dá tapa nela?
É quente o cortejo
Quem diz azulejo
Fala besterela

Vem em realejo, viver dá desejo
Quem não quer viver?
É todo um manejo
Quem quer comer queijo
Nega o sofrer

Cai no anacronismo, ser não é um roupismo
Quem se esconde de si?
É sempre redutismo
Quem diz só abismo
Não sabe o que vivi

domingo, 8 de novembro de 2009

Hoje Sambo Só

Despojo, despejado de mim mesmo no realejo da dança que é o amor, e danço só, hoje só danço só, só danço samba com meus vícios. Problemáticas, simpáticas, fajutas, falsas, malandras, verdadeiras, carentes, meigas, lindas e carecem de amor não só por fora mas por dentro e por dentro e por dentro que é quente o embalo dessa dança, e são reflexos do que somos e totalidade do que elas são, e mesmo assim, sempre assim gostamos delas, bem resolvidas com bom humor e sem joguinhos, ao menos esse é meu gosto, que desgosta ao ver na folha a amante que descrevo em poesias, em sonetos, em miragens na cabeça, desdenhando do meu abraço e não entra em minha dança, mas quem entra vai sambar.
E sentado nessa mesa, na espera de um amor que custa a vida, que principie como marco e adentre ao coração que sofre de enganos da paixão. Cadeiras vazias ao meu redor, o samba só, o amor que alguém me tem deveras não é amor, é dó, senão não escreveria isto agora, estaria no balé dos amantes que fazem do arco do amor o bambole da alegria. E se é muito viver só com o desprezo quem contém a solução, esconde-se de mim, sambo só, hoje sambo só, mas ardente por uma paixão.

domingo, 1 de novembro de 2009

Triste-Alegre em mim

A felicidade é azul no céu
Negro, tempestade. Flor, pingo de mel
Raio de tristeza a fazer clarão
Ri com sutileza, vindo solidão

O malabarismo
Dessa alma circense
O meu raquitismo
Nunca me convence
E no atletismo
Sou eu quem não vence
No ineditismo
Thriller é suspense

A lua vazia com lágrima presa
Em pano cosia água em represa
Estrela cadente, no céu fez regência
Cá caiu ardente, me deu a cadência

O dia casado
Batucou sozinho
Sambou desquitado
Só no sapatinho
Me deixou zangado
Sendo triste sim
Do riso chegado
Fraco, triste assim

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Menina Moça

Menina na sina dos beijos
Cobiça e atiça também
Mas quer, não quer
Ama nenhum, não gosta de ninguém
Vai alvorada dos desejos
E essa namorada vai
Ver o dia que o amor nascer

Sorrateira de bobeira pela rua
Sandália caiu o salto
Adélia Prado diz
Que amor feinho mata a fome
Mas não faz feliz
A menina vem com graça
Quer apagar a lua, de pirraça

Ai essa amada vai fazer
Do que não fala vocabulário
Tem medo de sofrer as dores
De um rosário
Não quer ver no amor as cores
Nem com a dor fazer um páreo
Não quer sofrer

Ora, ora menina moça
Cabelo grande, lábio de louça
Se dá com todos, não se apega
A ninguém, mas é carente
Desfila no salão da desilusão
Deixa onde passa pedaços
De um coração ensaboado

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Rosa

Leva o terço na mão, reza Ave Maria
Rosa cor da blusinha, flor de oração
Na cruz do seu viver passa o dia
De reza faz profissão
Rosário de redenção, bem queria
Estar no amor em comunhão
Cegas chagas afaga no peito
Léguas de perdão
Tem amor para dar
E se dá amor
Logo ela quer cobrar
Logo ela quer dizer
Logo ela vai querer
Saber dos passos
De você

Leva aceitar tudo que vê
Trégua da interpretação de cartaz
Publicidade é moda que vem
Para nunca mais... partir
Fecha a porta da casa
Abre a imaginação
Liga o aparelho de...
E quer ter para ter
E quer ver que não sabe
E vai comprar por querer
A notícia que cabe
O preço não
Não vai no bolso
A sorte vai
No cartão

Leva as novas do dia e vai
Seguir caminho de discutir
E não fazer o que deve
Viraram o jogo
É fogo, é lenha
É pau, é assim
Faz de conta que não
Cais de silêncio
Leva na mão uma oração
E condena, e afaga
E aceita
Suas chagas
E vai sem fazer nada
Como sempre
Enganando-se

Leva o julgamento na boca
Vai assistir
Para falar, para fazer
O que não se faz
Não vai afagar
Não vai mais parar
Vai desmentir
Mestificar
E vai com certeza
Agir com destreza
No seu julgar
Para a certeza
Para acabar faz igual
E julga o outro
Com ponto final

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Desengano

Tudo se foi na ventania, nos oceanos
De mim restou na vida a tristeza
E eu calado indo na correnteza
Vi os dias darem adeus a mais um ano
Será que só me calo perguntas
Assunto, que assunto é esse que arrepia
É duro ter na mente um engano
É duro ter a cabeça dura
E ver que custa caro a alegria
E ver que a tristeza não tem cura
É duro, a gente vai fazendo hora

Tudo, o chão, o teto, a casa e o desafeto
O jardim, a flor, o passarinho
O coqueiro vem morrendo sim
A tristeza vai morar bem perto
E me dar tristes risos netos
Vou seguir sozinho o caminho
E pisando errado, errando em mim
Se um dia eu disse que era esperto
Que esse dia cale o que não sou
A gente leva na força o dia
A gente vai domando a hora

Tudo que eu vejo é risonho
Rio da tristeza para te-la como amiga
Não durmo, não acordo e não sonho
Resta cantar samba de mandinga
Hoje custou caro a cerveja
Hoje não rolou nenhum amparo
Se é pra ser então que seja
A vida que não levo custa caro
Corro e vejo que é melhor parar
Vejo que não levo jeito
Mas vou levando até onde a vida vai dar

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Riso Amarelo

Passo procurando nas horas
Do agora que vigora toda vida
E choro em papéis, em sambas
Me despisto e insisto em não ter
O que fazer da vida
Se o que me interessa é o agora
E fazer das letras miçangas
Pra embelezar meu bem querer

Me perco toda hora
E quem acha que é cheio de si
É mais perdido que quem
Está com roupa, em praia
De nudismo, e balança o bolso
Vazio do que não se compra
E cheio do que quer ter
E eu sigo triste

São linhas essas minhas
Palavras! É samba, e não tenho
Com quem sambar! Se fosse
Alegre esse dia
Que eu me entregue para a vida
Mais mendigo do que quem
Pede amparo
Sou mendigo por viver

Traço nos sete dias
Se metade for de alegria
Eu sorrio, se metade for
De tristeza, abro empresa
De vender riso amarelo
Mas de chorar
Ao desconstruir castelo
De palavras